quinta-feira, 31 de março de 2011

Na passarela

No palco da vida


Ensaiamos cenas diversas


Drama e tragédia comovem


Humor e comédia entretem


Mas nascemos para atuar


As cenas mais belas e felizes.


O calor nos braços da mãe


No queimar dos pulmões


Da vida que se faz


O choro de quem sente


Frio, fome, sede, medo...


Pela primeira vez


Calado pelo doce enlace


Do abraço no seio materno


Os tropeços e quedas


As feridas e cicatrizes


Adquiridas ao longo da jornada


Enriquecem o caráter


As lágrimas não choradas


Encalejadas na garganta pelo medo


Fortalecem um ser que urge como onda


Que duela ardilosamente


Entre a fortaleza humana de ser


E a humanidade sóbria e modesta


De sentir e chorar


Às vezes somos péssimos atores


Confudimos as falas


Trocamos os atos


Desfazemos os desfechos felizes


De algumas belas histórias


Criamos vários finais


Deixamos muita coisa para amanhã


Entregamos a nossa eternidade


Sim, o nosso “para sempre”


De forma deliberadamente má


É como uma ponte de areia


Com destino à felicidade


Que sempre se desfaz


Com a subida do nível do rio


Homem, quem afinal é bastante?


O poeta canta com tristeza


A decadência agonizante da alma


O que lhe sobra de dor


Lhe sobeja muito mais em amor



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