sábado, 26 de junho de 2010

Quando o Sol se foi

Quando o sol se foi, tive medo
A lua triste e solitária no céu
Me fez pensar na escuridão
Que à noite vem revelar-me
Que em algum lugar sob o manto celeste
Há um olhar triste como o meu
Refletindo o brilho das estrelas
A lua minguante tal qual meu riso
Esconde por trás de suas negras nuvens
Que depois de cada lua fria, solitária e triste
Há um sol de esperança, um brilho inviso.
.
.
Frank Araujo

À Minha Rainha

Quando a vi pela primeira vez
Amor - até então mantido no vazio da ilusão do meu ser
Me veio como a brisa
Que corre os coloridos campos primaveris
Ferindo a velha rosa, dando vida ao broto
Secando com o seu terno sorriso
Como o calor do sol, ao despontar do dia
As últimas gotas do cintilante orvalho
Deixadas pela madrugada fria e cruel
Não haverá mais noites frias
Se estiveres comigo aqui perto, dentro
Vem e aquece minha alma com ternura e paixão
Abraça os meus sonhos como se fossem teus
Se, por ventura, aceitares
O que humildemente te proponho
Serás, dentre todas as princesas
De todo ou qualquer reino que exista
A minha coroada, escolhida
Dona de toda beleza, nobreza e formosura
Tomarei a ti, senhora, por Rainha
A minha Rainha!
.
.
Frank Araujo

Medo da noite


Estou faminto, mas não quero água
Estou cansado, mas nem pensar em dormir
Minha alma geme, mas o canto não me alegra
A sede me apavora, mas eu não quero comer
Estou com muito frio, mas não abrirei as portas ou janelas
Me sinto só, mas não preciso de uma festa surpresa
Meus olhos choram, mas não estou afim de sorrir
Estou com medo da noite;
Não peço que me conte histórias para dormir
Ou que cante canções para me ninar
Eu não sei mesmo do que preciso...
Eu só quero que a chuva passe logo,
E que o sol recomece a brilhar.
.
.
Frank Araujo

Incontido Desejo

Meu coração insiste em chamar teu nome
Meus olhos insistem em percorrer o mundo
Em busca de um visgo que o prenda
Minha boca persegue os teus lábios
No profundo e intenso, incontido desejo
De saciar a sede insuportável
Que tem durado para sempre, sem dó
Os meus dedos clamam saudosamente
Aquilo que, outrora, fora um doce afago
Tocar teu rosto, percorrer cada fio de cabelo
Sonhando alto, gritando para ninguém ouvir
Meu corpo inteiro é uma sinfonia
Que pranteia numa melodia triste
Implorando o calor dos teus abraços
.
.
Frank Araujo

Jardineiro Fiel

As mãos calejadas do jardineiro refletem sua fidelidade
Porém, não diz ao estrangeiro mais do que se pode ver
Os seus olhos podem contemplar o paraíso...
Ou frustrá-lo ao olhar e perceber a solidão
Que a vida deixou ao levar embora
Sua ROSA de estimação...
A que jamais será esquecida
E enterrada dentro de um vaso barato
Contudo, é o jardineiro feliz
Sua felicidade, todavia, não é expressão de seu contentamento
Se assim fosse a vida seria ilusória
E seu amor vão e leviano...
.
.
Frank Araujo