No palco da vida
Ensaiamos cenas diversas
Drama e tragédia comovem
Humor e comédia entretem
Mas nascemos para atuar
As cenas mais belas e felizes.
O calor nos braços da mãe
No queimar dos pulmões
Da vida que se faz
O choro de quem sente
Frio, fome, sede, medo...
Pela primeira vez
Calado pelo doce enlace
Do abraço no seio materno
Os tropeços e quedas
As feridas e cicatrizes
Adquiridas ao longo da jornada
Enriquecem o caráter
As lágrimas não choradas
Encalejadas na garganta pelo medo
Fortalecem um ser que urge como onda
Que duela ardilosamente
Entre a fortaleza humana de ser
E a humanidade sóbria e modesta
De sentir e chorar
Às vezes somos péssimos atores
Confudimos as falas
Trocamos os atos
Desfazemos os desfechos felizes
De algumas belas histórias
Criamos vários finais
Deixamos muita coisa para amanhã
Entregamos a nossa eternidade
Sim, o nosso “para sempre”
De forma deliberadamente má
É como uma ponte de areia
Com destino à felicidade
Que sempre se desfaz
Com a subida do nível do rio
Homem, quem afinal é bastante?
O poeta canta com tristeza
A decadência agonizante da alma
O que lhe sobra de dor
Lhe sobeja muito mais em amor

